A queda na concessão de crédito à habitação é estrutural e inevitável, pois resulta de diversas décadas anómalas, baseadas
no grande equívoco que foi a transformação generalizada do imobiliário em investimento. Embora cada vez mais o consumidor faça simulação de credito habitação, para encontrar a melhor opção de credito, a habitação, para além de um bem de consumo (a casa onde se vive), passou a ser considerado como umexcelente investimento, dado que os preços no imobiliário só “subiriam”!
A célebre frase “comprar é melhor do que arrendar” foi um embuste que transformou a casa no nosso principal investimento,no destino privilegiado das nossas poupanças e do nosso endividamento, assente, porém,na premissa errada de que o imobiliário só subiria. Porquê?
Há décadas atrás, podíamos argumentar que havia falta de casas e que devido ao desequilíbrio entre oferta e procura os
preços tenderiam a subir. Mas,quando há procura e as rendibilidades são atractivas, a oferta responde e a “indústria” do
imobiliário desenvolveu-se de forma extraordinária, colocando no mercado muitos e muitos apartamentos. Ora, a razão
histórica, que podia explicar a subida dos preços (excesso de procura), esfumou-se e a resposta da oferta não só repôs o
equilíbrio como inverteu a situação de mercado (excesso de oferta). Quanto aos bancos nunca se entendeu como é que o crédito
à habitação passa generalizadamente e em poucas décadas de “produto financeiro a ignorar” para “vedeta da companhia”!
Acontece que o crédito à habitação é um produto muito exigente, em termos financeiros,pois o banco vê sair, hoje, o
valor do empréstimo que vai recuperar em 20, 30 ou 40 anos!!! A diferença de maturidades que provoca entre os seus
activos e passivos é, em momentos de menor liquidez, trágica e esteve na origem de algo que veio a ter o pomposo e misterioso
nome de “subprime”.
Menos de um mês. Este foi o tempo suficiente para ficar concluída a alteração nos preçários dos empréstimos à habitação
dos quatro maiores bancos privados,BPI, BCP, BES e Santander Totta. Entre os grandes da banca nacional, a Caixa Geral de
Depósitos é, assim, a única instituição financeira a manter, para já, inalterados os preços dos novos créditos para compra
de casa. A explicação é simples e surgiu pela voz do presidente da CGD: “A missão do banco estatal é apoiar a economia”,
No entanto, a verdade é que esta missão não impede o banco público de, à semelhança dos restantes, repercutir nos clientes
a actual conjuntura económica e financeira. Como tal, a Caixa escolheu como alvo os depósitos, onde irá reduzir os
juros já a partir do próximo dia 1 de Abril.
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