A bolsa portuguesa até pode estar debaixo de fogo, mas há algumas cotadas nacionais que continuam a merecer a
confiança dos melhores gestores de acções europeias. Nenhuma chega a entrar no top 10 das predilectas dos fundos que mais valor criaram entre Março de 2008 e o final do mês passado, segundo o ‘ranking’ da consultora Lipper. Mas há uma empresa nacional que se destaca: a Jerónimo Martins e, em menor escala, a Galp Energia, a Portugal Telecom e a EDP. Apesar da maior desconfiança com que os investidores olham para os activos portugueses, devido à crise de dívida soberana, a retalhista liderada por Pedro Soares dos Santos é uma das
apostas de dois dos melhores fundos de acções europeias. “Olhar para uma acção portuguesa não significa que se está a olhar muito para a economia portuguesa”,
explicou o gestor de um destes fundos. Isto porque há empresas que têm os seus negócios diversificados geograficamente, permitindo-lhes superar o cenário difícil que a economia nacional atravessa.

A Jerónimo Martins é a 11ª empresa em que o fundo com melhor desempenho nos últimos 12 meses investe. O BGF
Continental Europe tem mais de 580 mil acções da retalhista. A cotada nacional tem um peso de 2,5% no veículo gerido pala Blackrock, segundo os últimos dados fornecidos pela Bloomberg. Desde o início do ano as acções da Jerónimo Martins sobem 14,46%, o segundo melhor desempenho do PSI 20. Além disso, os títulos da dona do Pingo Doce e da Biedronka foram dos que melhor resistiram em bolsa durante a crise financeira e continuam a merecer a confiança dos analistas. Na semana passada, por exemplo, o Goldman Sachs colocou a empresa na sua lista de acções preferidas.

“Tem uma oportunidade significativa para crescer na Polónia. Esperamos que isto, emconjunto coma conversão e lojas emPortugal, permita à empresamanter a liderança no crescimento das vendas entre os seus pares até 2010”, defendia o banco de investimento. A retalhista é
ainda uma das eleitas do Allianz RCM Europe Equity Growth.Alémda Jerónimo Martins, apenas a Galp aparece no portefólio dos melhores fundos de acções europeias geridos por entidades internacionais. A petrolífera é uma das escolhas do Fidelity European Agressive,
como gestor a atribuir-lhe um peso de 1,54% na carteira, segundo dados da Bloomberg. As acções da empresa apreciam 5,42% em 2010 e têm em comum com a Jerónimo Martins o comportamento acima do mercado durante a crise financeira. De referir que nem todos os fundos analisados divulgam a totalidade de empresas detidas emcarteira.

fonte: Jornal de Negocios