Archive for April, 2010

Fundos e acções: Fale com o seu banco

A bolsa portuguesa até pode estar debaixo de fogo, mas há algumas cotadas nacionais que continuam a merecer a
confiança dos melhores gestores de acções europeias. Nenhuma chega a entrar no top 10 das predilectas dos fundos que mais valor criaram entre Março de 2008 e o final do mês passado, segundo o ‘ranking’ da consultora Lipper. Mas há uma empresa nacional que se destaca: a Jerónimo Martins e, em menor escala, a Galp Energia, a Portugal Telecom e a EDP. Apesar da maior desconfiança com que os investidores olham para os activos portugueses, devido à crise de dívida soberana, a retalhista liderada por Pedro Soares dos Santos é uma das
apostas de dois dos melhores fundos de acções europeias. “Olhar para uma acção portuguesa não significa que se está a olhar muito para a economia portuguesa”,
explicou o gestor de um destes fundos. Isto porque há empresas que têm os seus negócios diversificados geograficamente, permitindo-lhes superar o cenário difícil que a economia nacional atravessa.

A Jerónimo Martins é a 11ª empresa em que o fundo com melhor desempenho nos últimos 12 meses investe. O BGF
Continental Europe tem mais de 580 mil acções da retalhista. A cotada nacional tem um peso de 2,5% no veículo gerido pala Blackrock, segundo os últimos dados fornecidos pela Bloomberg. Desde o início do ano as acções da Jerónimo Martins sobem 14,46%, o segundo melhor desempenho do PSI 20. Além disso, os títulos da dona do Pingo Doce e da Biedronka foram dos que melhor resistiram em bolsa durante a crise financeira e continuam a merecer a confiança dos analistas. Na semana passada, por exemplo, o Goldman Sachs colocou a empresa na sua lista de acções preferidas.

“Tem uma oportunidade significativa para crescer na Polónia. Esperamos que isto, emconjunto coma conversão e lojas emPortugal, permita à empresamanter a liderança no crescimento das vendas entre os seus pares até 2010”, defendia o banco de investimento. A retalhista é
ainda uma das eleitas do Allianz RCM Europe Equity Growth.Alémda Jerónimo Martins, apenas a Galp aparece no portefólio dos melhores fundos de acções europeias geridos por entidades internacionais. A petrolífera é uma das escolhas do Fidelity European Agressive,
como gestor a atribuir-lhe um peso de 1,54% na carteira, segundo dados da Bloomberg. As acções da empresa apreciam 5,42% em 2010 e têm em comum com a Jerónimo Martins o comportamento acima do mercado durante a crise financeira. De referir que nem todos os fundos analisados divulgam a totalidade de empresas detidas emcarteira.

fonte: Jornal de Negocios

Simulação de credito habitação

A queda na concessão de crédito à habitação é estrutural e inevitável, pois resulta de diversas décadas anómalas, baseadas
no grande equívoco que foi a transformação generalizada do imobiliário em investimento. Embora cada vez mais o consumidor faça simulação de credito habitação, para encontrar a melhor opção de credito, a habitação, para além de um bem de consumo (a casa onde se vive), passou a ser considerado como umexcelente investimento, dado que os preços no imobiliário só “subiriam”!

A célebre frase “comprar é melhor do que arrendar” foi um embuste que transformou a casa no nosso principal investimento,no destino privilegiado das nossas poupanças e do nosso endividamento, assente, porém,na premissa errada de que o imobiliário só subiria. Porquê?

Há décadas atrás, podíamos argumentar que havia falta de casas e que devido ao desequilíbrio entre oferta e procura os
preços tenderiam a subir. Mas,quando há procura e as rendibilidades são atractivas, a oferta responde e a “indústria” do
imobiliário desenvolveu-se de forma extraordinária, colocando no mercado muitos e muitos apartamentos. Ora, a razão
histórica, que podia explicar a subida dos preços (excesso de procura), esfumou-se e a resposta da oferta não só repôs o
equilíbrio como inverteu a situação de mercado (excesso de oferta). Quanto aos bancos nunca se entendeu como é que o crédito
à habitação passa generalizadamente e em poucas décadas de “produto financeiro a ignorar” para “vedeta da companhia”!

Acontece que o crédito à habitação é um produto muito exigente, em termos financeiros,pois o banco vê sair, hoje, o
valor do empréstimo que vai recuperar em 20, 30 ou 40 anos!!! A diferença de maturidades que provoca entre os seus
activos e passivos é, em momentos de menor liquidez, trágica e esteve na origem de algo que veio a ter o pomposo e misterioso
nome de “subprime”.

Menos de um mês. Este foi o tempo suficiente para ficar concluída a alteração nos preçários dos empréstimos à habitação
dos quatro maiores bancos privados,BPI, BCP, BES e Santander Totta. Entre os grandes da banca nacional, a Caixa Geral de
Depósitos é, assim, a única instituição financeira a manter, para já, inalterados os preços dos novos créditos para compra
de casa. A explicação é simples e surgiu pela voz do presidente da CGD: “A missão do banco estatal é apoiar a economia”,
No entanto, a verdade é que esta missão não impede o banco público de, à semelhança dos restantes, repercutir nos clientes
a actual conjuntura económica e financeira. Como tal, a Caixa escolheu como alvo os depósitos, onde irá reduzir os
juros já a partir do próximo dia 1 de Abril.